26-02-2009 - EXAME DE ORDEM E REVALIDAÇÃO MÉDICA INTERESSA A MEDICINA BRASILEIRA E A POPULAÇÃO
Flávio Job
A Comissão Insterinstitucional Nacional de Avaliação de Ensino Médico – CINAEM – em 1991 já afirmava “que salta aos olhos: um contingente de médicos mal preparados está sendo lançado na vida profissional todos os anos”.
A revista Veja, em sua edição de 16 de junho de 2004, sob o título “Medicina de alto risco” traz as conclusões de um estudo realizado pela Universidade do estado de São Paulo – UNESP – que: 73% de nossos médicos já receitaram medicamentos sem lhes conhecer a exata composição, 71% não se lembram de informar seus pacientes sobre as reações adversas, 72% alegam cumprir dupla jornada de trabalho e justificam assim a precariedade de sua formação acadêmica, 62,5 % admitem não participarem de Congressos médicos e por fim, 40 % deles declaram que não lêem publicações médicas ou científicas.
Nossas escolas médicas, com raras exceções, não estão formando médicos, mas apenas diplomando-os e, ao fazer isso, agem de maneira irresponsável, porque lançam no mercado profissionais tecnicamente despreparados, incapazes de lidar com os problemas de saúde mais simples de nossa população.O interesse da sociedade encontra-se acima do interesse próprio ou do interesse corporativo, constituindo um atributo indispensável não só a medicina como também a todas as profissões.
Não podemos confundir os colegas médicos e a sociedade com propostas que não oferecem soluções e que misturam a grande abertura de escolas médicas sem condições que é uma realidade, infelizmente, com revalidação de diplomas como mecanismo de “controle” dos médicos, e para demonstrar o populismo e a demagogia destes setores contra a melhoria e qualificação da assistência médica procura jogar, a classe médica, contra as duas maiores entidades que representam os médicos brasileiros, Conselho Federal de Medicina – CFM - e Associação Médica Brasileira - AMB – afirmando que o médico para poder competir neste mercado de trabalho terá de pagar e quem não aderir a este processo, corre o risco de perder seu título.
Os médicos precisam atualizar-se periodicamente para dar os melhores conselhos profissionais quanto à adoção de novos avanços tecnológicos, incluindo não só sua segurança e eficácia como também a estimativa de seu efeito sobre as evoluções clínicas, a satisfação dos pacientes e a eficácia relativamente aos custos.
A obrigatoriedade do Exame Nacional de Proficiência em Medicina é uma exigência da sociedade brasileira e dos profissionais médicos que lutam por uma medicina que deve ser ensinada, aprendida, pensada, humanizada e qualificada.
FLÁVIO JOB |