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24-03-2009 - Doença de mais, saúde de menos e aumento dos custos

Flávio Job

 

 À medida que o nosso país cresce em termos econômicos com o aumento da população que compra bens de consumo duráveis observa-se que o país não apresenta um desenvolvimento na acepção da palavra, pois falta educação, saúde e infra-estrutura em estradas, pontes, ferrovias, aeroportos, portos e hidrovias.
No que se refere à saúde continuamos com os problemas crônicos de sempre: falta de gerenciamento, escassez de recursos, infra-estrutura sucateada, déficit de pessoal e desvio de recursos.
O país deve ter uma política de governo que priorize programas de promoção de saúde que são de custo baixo e têm suas ações na educação das pessoas para manterem e/ou melhorarem a saúde, trabalha-se na prevenção e no gerenciamento das doenças, exemplificando, no Brasil o aumento da sobrevida da população traz como conseqüência o aumento das doenças crônico degenerativas como hipertensão, diabetes, acidentes vasculares cerebrais (derrames), as doenças degenerativas cerebrais (demências) e as cardiopatias isquêmicas (angina, infarto), todas estas doenças são passíveis de intervenção através de programas de promoção de saúde
Num país “emergente” como o nosso precisamos investir em tecnologias de baixo custo, e na saúde estes programas deveriam começar na escola incutindo nas nossas crianças práticas saudáveis de estilo de vida que sem dúvida alguma darão retorno para a sociedade no futuro com cidadãos mais saudáveis, menos doentes e melhor qualidade de vida.
 Recursos enormes da saúde são priorizados para pagamentos de medicações de alto custo e de valor terapêutico duvidoso (experimental) sendo que na grande maioria das vezes o gestor é obrigado a fornecer mediante ordem judicial.Outra sangria de recursos acontece nos procedimentos de alta complexidade que crescem de maneira exponencial pois a tecnologia médica e hospitalar fica cada vez mais sofisticada e cara.
Acredito que nós profissionais da saúde além de nos capacitarmos tecnicamente e eticamente de forma continuada temos um papel fundamental na mudança do modelo existente que prioriza a doença para um modelo que priorize a saúde e que nos lembremos quando solicitamos um exame sem necessidade, prescrevemos uma medicação cara e desnecessária, indicamos somente um procedimento médico sem oferecer alternativas estamos aumentando os custos do sistema saúde e quem vai pagar esta conta será a sociedade brasileira.    




FLÁVIO JOB - Presidente da SBCM-RS
 
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